Estudo mostra que plataformas digitais empregaram 1,7 milhões de trabalhadores em 2024
Realizada pelo IBGE, a pesquisa relata que os plataformizados possuem renda acima da média e caga horária maior, em comparação ao setor privado

GABRIELA TAVARES – Dados do terceiro trimestre de 2024 mostram que o Brasil tinha 1,7 milhões de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços. As categorias incluídas eram de transporte de pessoas, de entrega de comida e produtos e de prestação de serviços gerais. O material divulgado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Equivalente a 1,9% da população ocupada no setor privado, o número representa uma progressão em comparação ao quarto trimestre de 2022, quando 1,5% do total estava envolvida nesse tipo de atividade, ou seja, 1,3 milhões de pessoas.
O estudo, realizado pela parceria entre a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho (MPT), integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
O levantamento aponta que, no recorte por tipo de aplicativo, 58,3% realizavam o trabalho principal por meio de aplicativos de transporte de passageiros. Já 29,3% incluíam trabalhadores de aplicativos de entrega de comida e produtos. Entretanto, trabalhadores de aplicativos de prestação de serviços gerais ou profissionais somavam apenas 17,8%.
Incluindo táxi e considerando todos os trabalhadores que utilizavam aplicativos de transporte de passageiros, a porcentagem que representa os trabalhadores plataformizados no Brasil é de 58,3%. O total então compreende 964 mil pessoas.
As análises realizadas entre 2022 e 2024 constatam uma expansão do número global de pessoas que exerciam o trabalho por aplicativos pesquisados, salientando as plataformas de prestação de serviços gerais ou profissionais. O crescimento foi de 52,1%, ultrapassando 193 mil para 294 mil pessoas.
Aplicativos de transporte particular também demonstraram evidente aumento performativo, com alta de 29,2%, de 680 mil para 878 mil. Os aplicativos de entrega foram os que tiveram menor progresso, com variação de 8,9%.
O material exposto pelo IBGE ainda relata que majoritariamente os trabalhadores plataformizados eram homens, em uma quantidade maior que a média geral dos trabalhadores ocupados no setor privado. O perfil retratado pelo estudo explica que, um grupo de 25 a 39 anos correspondia a quase metade das pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais.
A pesquisa define ainda que, quanto à escolaridade, a maioria se concentrava em níveis médio completo ou superior incompleto, 59,3%. A parcela com nível superior completo é de 16,6%. Em relação àqueles sem instrução ou com fundamental incompleto soma-se 9,3%.
No terceiro trimestre de 2024, os dados coletados informam que o rendimento médio mensal dos plataformizados estava 4,2% maior que o rendimento médio dos não plataformizados. Entretanto, os trabalhadores de plataformas marcaram um rendimento-hora 8,3% inferior ao dos trabalhadores não plataformizados.
Os trabalhadores perfomizados registraram uma jornada de trabalho, em média, 5,5 horas mais extensa que a dos não perfomizados. A discrepância no rendimento médio mensal caiu em relação a 2022, que retrata 9,4% a mais para os trabalhadores de plataformas.
O estudo mostra ainda que a maioria dos trabalhadores por aplicativos ainda está fora da rede de proteção previdenciária. Em relação a 2024, apenas 35,9% contribuíram para a previdência, abaixo dos 61,9% entre os que não utilizam os aplicativos como fonte de renda principal.
Foi notada também uma diferença entre as regiões do país. No norte, só 15,4% contribuíram para a previdência, já no Sul mais da metade realizou o pagamento.



