0,1% da população de bilionários emite mais CO2 que metade da população pobre global
Dados publicados pela Oxfam declaram que os mais ricos produzem, em média, cerca de 800 kg de carbono por dia, enquanto cidadãos pobres apenas 2 kg

GABRIELA TAVARES – Relatório divulgado pela Oxfam revela que o dia a dia dos super-ricos produz mais carbono quando comparado ao restante da população. Os dados, publicados no dia 29, exploram como bilionários aproveitam influências políticas e econômicas para fortalecer a dependência em combustíveis fósseis, visando aumentar lucros privativos.
O estudo afirma que, desde 1990, 0,1% da população mundial mais rica subiu em 32% na atuação nas emissões globais de carbono. Entretanto, a metade mais pobre teve parcela do fato diminuída em 3%. A parte que mais produz o gás teria que reduzir as irradiações individuais de carbono em 99% até 2030, com o objetivo de manter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC.
Uma única pessoa incluída nesses 0,1%, em média, emite mais de 800 kg de CO2 por dia. Por outro lado, um cidadão inserido nos 50% mais pobres produz emissões de apenas 2 kg diariamente, ou seja, o peso que uma criança conseguiria levantar.
Segundo o relatório “Saque Climático: como poucos poderosos estão levando o planeta ao colapso”, as análises realizadas provam que a população economicamente favorecida produz mais carbono em um dia do que metade da população pobre em um ano. Se toda a população global seguisse esse caminho o orçamento de carbono seria esgotado em menos de 3 semanas.
Em adição a esse fator, a Oxfam declara que os ricos lucram com as empresas mais poluentes do mundo. De acordo com os dados divulgados, o bilionário, em média, gera 1,9 milhões de toneladas de CO2 por ano por meio de investimentos.
O estudo ressalta ainda que 60% dos bilionários realizam investimentos em setores de alto impacto climático negativo. Esse número representa duas vezes e meia mais emissão de carbono em comparação ao investimento médio listado no índice S&P Global 1.200.
Amitabh Behar, diretor executivo da Oxfam Internacional comentou que a crise climática é uma crise de desigualdade. O diretor relata que os indivíduos mais ricos financiam e lucram com a destruição do clima, enquanto a maioria da população sofre com as consequências.
“Esses super-ricos e as corporações que comandam têm um histórico mortal de financiar lobistas, espalhar desinformação e processar ONGs e governos que tentam detê-los. Precisamos quebrar o controle dos super-ricos sobre a política climática: taxar suas fortunas, proibir seu lobby e colocar as populações mais afetadas no centro das decisões”, reforça Behar.
As emissões descontroladas dos mais ricos devem causar 1,3 milhões de mortes devido ao calor extremo até o fim do século. O nível elevado do gás vai gerar US$44 trilhões de gastos em danos econômicos em países de baixa e média renda até 2050.
* Crédito foto: Ella Ivanescu/Unsplash



