Faixas de areia tem cerca de 15% de área engolida pelo avanço do mar no Brasil
Praias brasileiras estão perdendo barreira natural devido interrupções no processo de erosão, aponta ONU

GABRIELA TAVARES – Cerca de 15% da faixa de areia do litoral brasileiro foi perdida no decorrer de três décadas, de acordo com estudos científicos citados pelo G1. Isso indica que, a cada 100 metros de praia, 15 já desapareceram. O fenômeno tem causas naturais, estimulado pela erosão costeira, entretanto vem sendo impulsionado por ações humanas.
O processo de erosão costeira depende da estabilidade entre entre o que o mar retira e o que devolve. As ondas transportam grãos de areia, que acabam por serem depositados na beira da praia, formando então bancos de areia e alimentando a praia.
Esse processo tende a ser estável, mas caso esse ciclo sofra algum intervalo, geralmente devido construções muito próximas à orla, a praia perde a capacidade de regeneração. Edifícios e infraestrutura pesada atrapalham a movimentação da areia e dificultam a formação de bancos de areia naturais.
Devido o interrompimento desse fenômeno, a praia perde a habilidade de se recuperar, tendo como resultado o encolhimento da faixa de areia, causando exposições ao solo e deixando-o vulnerável ao avanço do mar.
O avanço do mar vai além de questões turísticas e estéticas. A grande redução da faixa de areia pode gerar riscos para comunidades de alagamentos e destruição de imóveis, uma vez que não teria a areia como barreira natural contra o mar.
Segundo o relatório “Surging Seas Technical Brief” da Organização das Nações Unidas (ONU), Atafona, no litoral do Rio de Janeiro, é um dos casos mais emblemáticos. O local apresenta casos de erosão acelerada, inundações e danos à infraestrutura, perdendo ruas inteiras para o mar.
A ONU classificou a cidade como uma das 31 regiões do mundo mais ameaçadas pela elevação do nível do mar. No período entre 1990 e 2020, o oceano subiu 13 centímetros no local, com previsão de que suba mais 21 centímetros até 2050, conforme dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
O mesmo ciclo de Atafona também está se apresentando em pontos litorâneos do Norte, Nordeste e Sudeste.



