
Roberto Crispim (Juazeiro do Norte) – O presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, Felipe Vasquez (PSDB), articula a migração do vereador Lukão — atualmente também no PSDB — para o PRD, partido que integra federação com o Solidariedade e que pretende conquistar ao menos duas cadeiras na Câmara dos Deputados em 2026.
As negociações contam com o apoio do deputado federal Júnior Mano (PSB), marido da presidente estadual da federação PRD/Solidariedade, Giordanna Mano. As tratativas avançaram após Vasquez recusar convite feito por Mano para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PRD.

Segundo fontes ligadas ao parlamentar peessebista, Mano teria se comprometido a ajudar na ampliação do capital eleitoral de Vasquez, oferecendo-lhe apoio em determinados colégios eleitorais. O vereador juazeirense, no entanto, optou por filiar-se ao PSDB — partido do pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes — pelo qual deve concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa.
Mesmo assim, Vasquez tenta assegurar para Lukão os benefícios inicialmente oferecidos por Mano. Os dois vereadores têm atuado em parceria em diversas matérias apresentadas no Legislativo juazeirense.
Lukão, por sua vez, havia iniciado conversas com o PL para disputar uma vaga de deputado federal nas eleições deste ano. Contudo, conforme apurou a reportagem, as tratativas com o PRD já estariam em estágio avançado.
Base do governo Elmano de Freitas (PT), que é pré-candidato à reeleição, o PRD busca atrair lideranças opositoras à gestão estadual — caso dos dois vereadores de Juazeiro do Norte. Outro parlamentar do município ligado ao PRD, Márcio Joias, também não deve seguir a orientação de apoio à reeleição de Elmano.
Apurações indicam que Joias mantém diálogo frequente com o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e com o próprio Ciro Gomes. Nos bastidores, a movimentação do PRD tem sido observada com cautela. Embora o partido busque ampliar sua presença nos municípios durante a janela partidária, a aproximação com opositores acendeu um alerta na base governista.
“Os partidos estão buscando musculatura para a disputa eleitoral. É normal. Porém, quando uma liderança da base passa a discutir alianças com opositores do governo, abrindo espaço para candidaturas adversárias, isso naturalmente desperta atenção”, avaliou uma liderança ligada ao Palácio da Abolição, sob reserva.
Segundo ela, “até o próximo dia 3 de abril é preciso acompanhar de perto as movimentações dos partidos e das lideranças aliadas. Não se descarta a possibilidade de traições. Há muitos interesses em jogo. E, diante da conjuntura, é claro que líderes de maior expressão, como Camilo e o próprio Elmano, devem estar atentos a tudo e a todos”.
A janela partidária se encerra na próxima sexta-feira (3). Até lá, detentores de mandatos proporcionais podem trocar de partido sem risco de perder o cargo. A corrida por novos filiados tem marcado esta fase da pré-campanha.
A configuração final das siglas após a janela poderá definir as condições necessárias para que os partidos ampliem sua representação nas casas legislativas e fortaleçam seu peso político na próxima legislatura.



