ROBERTO CRISPIM – Juazeiro do Norte. A disputa pelas duas vagas do Ceará no Senado em 2026 voltou a se mover com intensidade. Após anunciar apoio ao deputado federal Júnior Mano (PSB), o senador Cid Gomes, passou a considerar uma mudança estratégica: lançar o também deputado federal e atual secretário de Educação de Fortaleza, Idilvan Alencar, como nome do PSB para a corrida eleitoral. Conforme apurou a reportagem, a possibilidade, discutida internamente na sigla, já provoca repercussões no campo governista e pode vir a redesenhar o tabuleiro político estadual.
Por que o nome de Idilvan entrou no jogo
Segundo dirigentes socialistas, a avaliação interna do PSB é de que o capital político de Júnior Mano não avançou como o esperado nas bases regionais. O retorno de Cid de uma missão oficial ao Japão acelerou a reanálise do cenário, levando o partido a buscar um nome considerado mais competitivo, especialmente nos centros urbanos — onde se concentra cerca de 70% do eleitorado cearense, segundo estimativas citadas por lideranças da sigla.
Nesse contexto, Idilvan Alencar desponta como alternativa natural. Ex-presidente do FNDE, ex-secretário de Educação do Ceará e atual secretário de Educação de Fortaleza, ele consolidou forte presença na capital e mantém vínculos sólidos com o setor educacional, segmento que tem peso político e orçamentário relevante no Estado.
O que está por trás da possível troca
A movimentação tem um objetivo central: manter a vaga do Senado sob controle do PSB. Cid, que não pretende concorrer, trabalha para que o partido apresente um nome capaz de unir a base governista e sustentar o projeto político da sigla no Ceará.
A escolha de Idilvan também dialoga com a estratégia de reforçar pautas sociais — especialmente a educação — como eixo da campanha majoritária. Nos bastidores, aliados avaliam que sua presença no palanque agregaria um setor que consome mais de 25% do orçamento estadual e que costuma ter forte mobilização eleitoral.
Impactos na aliança com o PT e no cenário estadual
A possível substituição de Júnior Mano por Idilvan ocorre em meio a um ambiente político já tensionado. Cid reafirmou apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), mas mantém posição contrária a uma eventual candidatura do ministro Camilo Santana ao Governo do Estado. Também já sinalizou que não apoiará o irmão, Ciro Gomes, caso ele entre na disputa.
Essas posições reforçam que a articulação para o Senado está inserida em um tabuleiro mais amplo, que envolve a manutenção da aliança com o PT, a reorganização do PSB após a migração de quadros oriundos do PDT e a tentativa de ampliar a bancada federal da sigla — hoje representada apenas por Júnior Mano.
O que a candidatura de Idilvan representaria
Se confirmada, a indicação de Idilvan Alencar ao Senado levaria à disputa um nome com forte identidade técnica e trajetória consolidada na educação pública. Isso poderia:
• Reforçar a pauta educacional como marca do Ceará no debate nacional;
• Ampliar a presença do PSB na capital, onde Idilvan tem maior inserção;
• Atrair o apoio de servidores e profissionais da educação, segmento historicamente organizado;
• Oferecer ao partido um candidato com experiência federativa, dado seu histórico no FNDE e no Consed.
Além disso, a escolha representaria uma mudança de rota significativa dentro do próprio PSB, indicando que Cid prioriza competitividade eleitoral e alinhamento programático acima de compromissos previamente anunciados.
Cenário ainda em construção
Embora a articulação tenha ganhado força, a troca ainda não foi oficializada. O movimento, porém, já produz efeitos: reorganiza expectativas dentro do PSB, pressiona aliados a reposicionarem suas estratégias e recoloca Idilvan Alencar como peça central na disputa majoritária de 2026.
Se a mudança se concretizar, o Ceará poderá assistir a uma campanha ao Senado marcada por debates sobre educação, políticas sociais e o futuro da coalizão que sustenta o governo estadual.



